quarta-feira, 26 de outubro de 2016

As pobres crianças do nosso mundo.

Uma noite dessas eu tive um sonho, um sonho ruim, como ja tive em várias outras noites, exceto que dessa vez, o sonho persiste em minha cabeça, a visão e o sentimento de impotencia continuam comigo.



Eu estava  em uma casa próxima a uma espécie de porto (embora eu não conheça um porto pessoalmente, e  não parecia nada com os que se vê na TV). Era em uma praia, porém, haviam muitos navios chegando ao mesmo tempo, umas sirenes soavam muito alto, mais do que o suficiente pra explodir a minha cabeça de dentro pra fora, tinha muito barulho do outro lado da porta (na tal praia), e eu olhava ao meu redor, e as pessoas que também estavam lá comigo tinham no rosto uma expressão muito séria, uma expressão de medo e de desistência. Estávamos eu, meu marido Gleidson, uma terceira pessoa de quem não me recordo agora, e o Gu, e dessas 04 pessoas, a única que não parecia apavorada era ele. 
Dei uma olhada por trás da cortina, e havia um verdadeiro massacre, pessoas correndo, gritando e sendo mortas por todos os lados, numa breve olhada que pareceram anos diante daquilo tudo, de todo aquele horror, sabiamos que estavamos encurralados, sabíamos que não tinha mais pra onde ir, e o único modo de tentar sobreviver seria se nós nos escondêssemos. 
Peguei o Gu no colo, e ví as outras duas pessoas correrem em direções opostas procurando por um esconderijo, peguei o coelho azul (Sansão da Mônica) e um cobertor qualquer, e levei ele pra dentro de um guarda roupa, conversei com ele aquilo que eu pude, pra convencer ele, que era preciso, era vital que ele ficasse quieto, acomodei bem ele por cima de algumas roupas, dei o coelhinho nos braços dele, cobri e fechei a porta do guarda roupas. Mas, não consegui mais me mexer, a porta arrebentou e a casa estava se enchendo com aqueles homens e eu só conseguia pensar que eu tinha que morrer em silêncio, pra que o Gu não se assustasse e acabasse gritando e sendo descoberto, fechei meus olhos pra fazer uma pequena oração, num pedido desesperado que Deus protegesse ele. 
Acordei, com os olhos cheios de lágrias, olhando pro meu pequeno e indefeso filho, dormindo serenamente abraçado com seu coelhinho.

Aquilo, ainda hoje está no meu coração, aquela sensação continua impregnada em mim, o fato de saber que a maior vítima das guerras são as crianças, eu sempre soube, inclusive, sempre senti muito por isso. Mas vivenciar, mesmo que através de um sonho, me deixou profundamente abalada.
Durante aquele sonho, eu tinha plena consciência que a morte viria pra ele, para um bebê que acabou de completar seus 5 aninhos, que sequer entendia o que estava acontecendo. Eu só conseguia pensar em quão assustado ele poderia estar, em quão patética eu estava sendo, em quão impotente eu estaa alí. Incapaz de lutar pela minha vida, tentando figir que algo não aconteceria, tendo a plena certeza de que tudo estava prestes a acontecer.
Quão desesperada uma mãe tem que estar pra contar histórias de ninar pros filhos, sabendo que o Titanic está afundando?
Quão desesperada uma uma mãe tem que estar para mandar seu filho numa travessia marítma perigosa, pra que ele morra na praia?
Quão desesperada fica uma mãe, sabendo, tendo total ciência de que seus filhos vão morrer, não importa o que aconteça?

Eu nem sei bem o intuito, disso tudo, eu só queria mesmo botar pra fora....

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